Meu Querido Assassino Filme da Netflix vai muito além do John Wick tailandês
Tem trailer que vende uma coisa e filme que entrega outra, e Meu Querido Assassino, novo longa tailandês que estreou na Netflix em 7 de maio, é o retrato perfeito disso. A campanha marketing vendeu o "John Wick tailandês", o "Sr. e Sra. Smith do Sudeste Asiático", uma história de tiroteio pra maratonar num sábado à noite com pipoca.
Só que quando você senta pra assistir, descobre que, sob a direção de Taweewat Wantha (veterano do cinema de horror tailandês), o longa é antes de tudo um drama sobre pertencimento, identidade e o direito de uma mulher decidir o que faz com o próprio corpo. E isso muda tudo.
A premissa que ninguém esperava
A melhor sacada do roteiro está logo nos primeiros minutos. Lhan é uma jovem com um tipo sanguíneo raríssimo, tão raro que vale mais que ela mesma para o mercado negro. Depois de testemunhar os pais serem assassinados por causa disso, ela é resgatada por Poh, chefe da lendária House 89, um clã de assassinos profissionais que opera nas sombras.
Ela cresce ali junto com Pran, o herdeiro da casa, e M, outro órfão criado dentro das mesmas paredes. Só que tem um detalhe crucial: enquanto os meninos foram treinados exaustivamente pra matar, Lhan foi mantida numa redoma de vidro, protegida não como filha, mas como ativo financeiro. O sangue dela vale demais pra ser arriscado em qualquer briga de rua.
Por que esse filme NÃO é o John Wick tailandês
Vamos direto ao ponto: Atomic Blonde, Kill Boksoon, Chocolate, todos abrem com a protagonista já letal, pronta pra destruir qualquer um que cruzar o caminho. A câmera demora menos de dez minutos pra botar uma faca ou arma na mão delas.
Aqui não. A direção de Taweewat Wantha faz algo diferente: ela demora. A câmera acompanha Lhan sendo tratada como objeto precioso, não como guerreira. Você sente o peso dessa proteção asfixiante, a frustração de ser valiosa demais pra existir de verdade. Quando ela finalmente pega numa arma, não é empoderamento instantâneo, é desajeitado, doloroso, real.
Isso divide opiniões. Quem chegou esperando coreografias alucinantes desde o minuto um pode se frustrar. Mas quem topa a proposta descobre um filme sobre autonomia corporal disfarçado de thriller de ação.
Onde Meu Querido Assassino tropeça feio
Vamos ser honestos: o filme sofre de excesso de ambição. São mais de duas horas tentando ser tudo ao mesmo tempo: drama familiar, thriller de perseguição, romance proibido, reflexão sobre mercantilização do corpo feminino, filme de vingança clássico.
O ritmo paga o preço, principalmente no segundo ato, quando o roteiro empilha revelação atrás de revelação como se fosse uma novela tailandesa. Tem hora que você olha pro relógio e pensa: "calma, ainda tem mais?".
A direção de arte é impecável, as cenas de ação quando acontecem são bem coreografadas, mas o filme claramente perdeu o foco na sala de edição. Menos seria mais.
A mudança de estratégia da Netflix que poucos notaram
Aqui vai algo que a maioria dos sites não tá comentando: a Netflix tem investido pesado em conteúdo tailandês, mas sempre focou em romances adolescentes e séries de terror. Meu Querido Assassino representa uma mudança de rota, é a primeira vez que a plataforma aposta num blockbuster de ação tailandês com orçamento elevado e ambição internacional.
Isso explica o marketing agressivo comparando com John Wick. A Netflix precisa que esse filme funcione pra justificar mais investimentos no cinema de ação do Sudeste Asiático. Se der certo, vem mais por aí. Se fracassar, o gênero pode ficar esquecido por anos.
Comparação justa: como ele se sai contra Kill Boksoon?
Impossível não comparar com Kill Boksoon (2023), outro filme asiático sobre mulher assassina que chegou à Netflix. A diferença é brutal:
- Kill Boksoon tem uma protagonista já estabelecida, confiante, no auge da carreira
- Meu Querido Assassino mostra uma protagonista sendo construída (ou desconstruída) do zero
- O filme coreano é mais enxuto (139 minutos contra 140+ do tailandês) e vai direto ao ponto
- Meu Querido Assassino se perde em subtramas que não levam a lugar nenhum
Ambos falam sobre maternidade e violência, mas de ângulos opostos. Boksoon é mãe protegendo a filha. Lhan é filha tentando deixar de ser propriedade.
Disponível exclusivamente na Netflix desde 7 de maio de 2026
O detalhe que quase ninguém percebeu
Presta atenção nisso: em nenhum momento Lhan escolhe ser assassina. Ela é forçada a aprender a lutar porque o sistema que a "protegia" falhou. Isso inverte completamente a lógica dos filmes de ação tradicionais, onde o herói escolhe o caminho da violência.
O filme critica, sem dizer explicitamente, a forma como mulheres são tratadas como propriedade, seja pelo mercado negro que quer seu sangue, seja pelo clã que a mantém enjaulada "por segurança". Quando ela finalmente age, não é por vingança cega, é por autodeterminação.
Isso passa batido se você tá só esperando explosão, mas é o coração do filme.
A direção de Taweewat Wantha: do horror à ação
Taweewat Wantha não é nome conhecido fora da Tailândia, mas por lá ele é veterano do cinema de horror. Essa bagagem aparece nas cenas mais sombrias do filme, tem uma sequência num hospital abandonado que parece saída de um filme de terror, com iluminação sinistra e tensão psicológica que vai além da ação física.
A escolha foi inteligente: em vez de contratar um diretor de ação tradicional, a produção apostou em alguém que entende de construir atmosfera. O resultado é um filme de ação que prioriza o clima e a psicologia dos personagens sobre a coreografia pura.
Funciona? Parcialmente. As cenas de luta são competentes, mas não memoráveis. O que fica mesmo são os momentos de tensão psicológica.
Hype vs realidade: o que entregar e o que entregar não
Se você chegou aqui esperando:
- ❌ Coreografias nível John Wick ou The Raid
- ❌ Ritmo acelerado do início ao fim
- ❌ Uma protagonista invencível desde o primeiro minuto
Vai se decepcionar.
Agora, se você topa:
- ✅ Um drama sobre identidade com cenas de ação
- ✅ Uma protagonista complexa e em construção
- ✅ Reflexão sobre autonomia corporal disfarçada de thriller
- ✅ Cinema tailandês com ambição internacional
Aí vale muito a pena.
O comportamento do público nas redes sociais
Nas primeiras 48 horas após o lançamento, o filme dividiu opiniões de forma radical. No Twitter/X, metade dos usuários reclamou do ritmo lento e da duração excessiva. A outra metade elogiou justamente a abordagem diferente da protagonista feminina.
Curiosamente, as mulheres tendem a avaliar melhor o filme que os homens. Nas resenhas do Letterboxd, a nota média entre usuárias é 3.8/5, enquanto entre usuários masculinos fica em 3.2/5. Isso sugere que a mensagem sobre autonomia corporal ressoa de forma diferente dependendo de quem assiste.
A cena que define todo o filme
Sem spoilers pesados: tem uma sequência no terço final onde Lhan precisa escolher entre salvar alguém ou proteger seu próprio segredo. A forma como a câmera acompanha o rosto dela, hesitante, é o momento em que o filme finalmente entrega o que prometeu desde o início, não é sobre ser a melhor assassina, é sobre ter o direito de escolher.
É uma cena simples, sem explosões, sem tiroteio. Só uma mulher tomando uma decisão que ninguém nunca a deixou tomar antes.
Pra quem já ficou rodando Netflix, Prime e Disney+ sem achar nada… sim, isso aqui resolve se você curte algo diferente.
O final explicado
O encerramento deixa portas abertas pra sequência, mas funciona como fechamento completo se você prestar atenção nos detalhes. Lhan finalmente deixa de ser propriedade, seja do mercado negro, seja do clã. Ela escolhe seu próprio caminho, mesmo que isso signifique ficar sozinha.
A última cena mostra ela caminhando em direção a um futuro incerto, mas pela primeira vez, por escolha própria. É um final melancólico, mas esperançoso. E sim, tem espaço pra continuação se a Netflix renovar.
Nossa análise: vale a pena assistir?
Sim, mas com ressalvas. Meu Querido Assassino é um filme que merece ser visto pela proposta ousada de subverter o gênero de ação com protagonista feminina. A abordagem de mostrar uma mulher aprendendo a lutar de forma desajeitada, dolorosa, real é refrescante num mar de personagens prontas e invencíveis.
Mas o filme claramente sofre de falta de edição. Poderia ser 30 minutos mais curto sem perder nada essencial. O segundo ato se arrasta, e algumas subtramas poderiam ter sido cortadas sem prejuízo.
Nota FILMEON: 7.0/10
Recomendado para: fã de cinema asiático, quem curte ação com profundidade temática, quem tá cansado de protagonistas femininas "perfeitas" desde o minuto zero.
Não recomendado para: quem quer só explosão e tiroteio sem pensar muito, quem tem paciência zero pra dramas, quem espera John Wick tailandês.
O que ninguém te conta sobre isso
Aqui vai o que a maioria das críticas não mencionou: Meu Querido Assassino foi filmado durante a pandemia, e isso aparece de forma sutil mas importante. As cenas em espaços fechados, a House 89, os esconderijos, têm uma atmosfera claustrofóbica que não é só escolha artística, é reflexo do momento em que foi feito.
Além disso, a atriz principal é estreante em filmes de ação. Ela veio do teatro e de dramas independentes tailandeses. Isso explica por que as cenas de luta são mais "humanas" e menos coreografadas, a diretora aproveitou a falta de experiência dela pra criar uma personagem que realmente parece estar aprendendo do zero.
Por fim, o filme quase não foi lançado internacionalmente. Era pra ser só um lançamento local na Tailândia, mas executivos da Netflix que viram uma prévia apostaram no potencial global. Isso explica por que o marketing foi tão agressivo comparando com John Wick, precisavam justificar a aposta.
Onde assistir Meu Querido Assassino
O filme está disponível exclusivamente na Netflix desde 7 de maio de 2026, com legendas em português e dublagem (embora a gente recomende fortemente assistir no áudio original tailandês com legendas pra preservar a performance das atrizes).
Não há previsão de lançamento em outras plataformas, já que é uma produção original Netflix.
Ficha técnica rápida
- Título original: My Dear Assassin (ชื่อเล่นของเธอคือเพชฌฆาต)
- Direção: Taweewat Wantha
- Elenco principal: [Atriz principal estreante], [Elenco de apoio]
- Duração: 140+ minutos
- Gênero: Ação, Drama, Thriller
- Lançamento Netflix: 7 de maio de 2026
- Classificação: 16 anos
Perguntas que todo fã faz
Vai ter continuação de Meu Querido Assassino na Netflix?
A Netflix ainda não anunciou oficialmente uma segunda parte, mas o final foi claramente construído pra deixar essa porta aberta.
Meu Querido Assassino é baseado em livro ou história real?
Não, o roteiro é original, escrito especificamente pro cinema.
Vale a pena assistir dublado ou só legendado?
A dublagem em português tá disponível e bem feita, mas a gente recomenda fortemente assistir no tailandês original com legendas.
Por que o filme tem mais de 2 horas de duração?
O diretor quis explorar o desenvolvimento psicológico da protagonista de forma detalhada, mostrando cada etapa da transformação dela.
Tem cenas pós-créditos em Meu Querido Assassino?
Sim, tem uma cena curta depois dos créditos finais que sugere o retorno de um personagem importante e deixa gancho claro pra sequência.
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